Às sete da manhã já está aberta. É a hora a que Pedras Rubras acorda a sério — a fila do pão, o café ao balcão antes do turno, o saco dos folhados para levar. A Tropicália está na Rua das Guardeiras desde 2002 e é uma daquelas casas onde meia terra se cruza sem combinar. ☕
Lá dentro é grande: o balcão verde faz uma curva larga com tampo de mármore, as vitrinas seguem quase toda a parede, e do lado das janelas há mesas com gente sentada a ler o jornal — pastelaria e café ao mesmo tempo, que é o que faz uma casa destas ser da terra e não uma paragem.
Já viste o que está debaixo do vidro?
Repara na base da vitrina, por baixo das queijadas e das bolas de Berlim: corais, búzios, conchas e uma estrela-do-mar azul, montados sobre tecido azul como um fundo de mar. Numa casa chamada Tropicália, o nome não era só uma palavra bonita na tabuleta — está ali, em baixo, à espera que alguém olhe. Passa lá cem vezes e não reparas; reparas uma vez e já não consegues não ver.
Nos doces, a casa diz que a especialidade é o pão-de-ló tradicional — húmido e fofo, do género que se corta à fatia grossa. E há uma coisa que só existe aqui: os croissants não são «os croissants», são os Croissants do Manel. Têm nome de pessoa. Num sítio pequeno, isso diz tudo.
O resto da vitrina é o que se espera de uma pastelaria a sério e que já quase não se vê: folhados de creme, jesuítas polvilhados, queijadas, bolas de Berlim, leite-creme em taça e uma fila inteira de bolinhos meio mergulhados em chocolate. Ao Natal aparecem as rabanadas, que a casa põe entre o que faz melhor.
As duas imagens da vitrina são fotogramas de vídeo — saem ao tamanho que a fonte aguenta, por isso são mais pequenas que as fotografias. Fotografias e vídeos cedidos pela casa.
E não é só doçaria. A Tropicália é também padaria, pizzaria, cafetaria e faz refeições diárias — do género almoço económico do dia a dia. Para as festas, faz bolos por encomenda: aniversário, casamento, comunhão. É a casa a que se liga quando é preciso um bolo com nome escrito por cima.
